O clamor de vossas almas


Às nove horas da noite no dia 27/11/2037, em céu estrelado, inesperadamente surge um blecaute. Um indivíduo estranho perpassa a Avenida Rocksford. Na proporção que caminhava pelo lugar povoado e suntuoso, as luzes, as cores se apagavam.
Todos os objetos, pessoas, estradas e prédios desapareciam ao longo de seus passos. O homem cobria-se de um paletó azulado e iluminado. Tão era que cegava os olhos de quem o via, sem permitir que se vejam distintamente as formas dos objetos.
Deteve o seu movimento. Todas as ruas, as lojas se obscureciam, até que do botequim “Phililies” surgiu uma luz. O paletó do indivíduo estranho se encolheu.
O homem entrou no lugar estonteado. Enfureceu-se com a perseverança de quem lá estava. Queria ser a última luz do universo, pois para ele, o mundo nada mais era como o centro do universo sob a máscara do paraíso.
No boteco, estavam dois homens e uma mulher conversando. Um dos varões, cientista, alegava ter solvido o problema da iluminação. As pessoas, indiferentes, voltaram a conversar.

-Para que o poder da luz se dela não poderia dominar? – pensava o homem

Irresoluto, voltou ao lugar afora abandonado. Espantou-se. Todo o esplendor e beleza do mundo externo retomaram às suas formas e aspectos originais.
Despertou-se. O coitado do homem estava sonhando acordado. Estava na realidade em um assento, situado no centro situado no centro da Praça Rocksfordian. De meia noite eram 9 horas em seu imaginário. Confundia-se com o modo sutil e ligeiro com que o mundo havia se desenvolvido. Retirou-se do assento de imediato, e moveu-se para a casa.

Às vezes passamos por tantos infortúnios, desgraças na vida, que almejamos e muito fontes de refúgio, seres benevolentes que possam nos guiar para o caminho certo, de modo que alcancemos a divindade e as esperanças de um mundo melhor.
A ira do estranho em seu meio ilusório cegou-lhe a concepção das coisas, que se convergiam com o incessante desejo de ser supremo, tornando-se simultaneamente menos consciente sobre o que lhe convém.
Caos é o que se vê no mundo afora. Possuímos angústias, medos, frustrações, ressentimentos… O tempo não para. É impiedoso aos nossos sentimentos.
O estranho não é um Deus, um ser provido de supremacia, e sim uma alma perdida.
O homem reflete, toma o seu último gole de refresco e vai-se embora. Chega a casa, acorda os três filhos e a mulher atônitos com beijos e abraços, pois “quando a vida nos cega, o amor nos mantém unidos.”. “O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente que há no mundo.”.
Este vibrante sentimento nos abre portas, ultrapassa barreiras. A vida sorrirá para vós, se levareis a sério. Que usemos o amor como nosso combustível da vida, pois a melhor e única maneira de compreender sobre quem somos e o que nos cerca. A única e melhor maneira para o progresso.







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