Tenho realizado algumas pesquisas a respeito de situações semelhantes a que passo com o Lorenzo. Pelo que pude ver, muitos leitores aconselharam para iniciar-se uma amizade primordialmente, para que após ter conquistado um certo nível de proximidade, intimidade, lhe dissesse a respeito do que sinto... Sim, isto è verdade, mas... A minha situação è diferente: os sentimentos vieram à tona antes deste devido dialogo, fazendo com que ele imediatamente saiba sobre este sentimento. No ano passado, os olhares foram bem intensos, quando não havia tantas pessoas que “especulassem” sobre este sentimento... Estas pessoas, digo nossos amigos, que de alguma forma ficam comentando e indicando uns aos outros a respeito de algo fazer... Havia relatado tudo o que havia me ocorrido no ano passado, todos aqueles olhares... Infelizmente, o site em que havia desabafado foi desativado, e, portanto, não terei mais acesso àquelas informações... Aqueles relatos foram a base para aqui estar especificando estes acontecimentos. Existem algumas reminiscências, na verdade, uma pluralidade de situações que ainda me lembro... Mas aqueles relatos as explicavam de uma forma mais trabalhada, de um modo que me assegurasse e equilibrasse as minhas hipóteses e idéias... O determinado fato è que na proporção que o olhava, ele continuava a me olhar... Na verdade, acho que desde a primeira vez que havíamos nos olhado, ele “detectou” aquele sentimento no ar... Digo isto, pois havia me olhado de forma contempladora, analítica, e pelas suas manifestações, posso dizer que ele sabia sobre o que tratava... A partir daquele dia, passamos a nos olhar mais... Desde o ano passado, quando eu procurava falar alguma coisa, ele me olhava atenciosamente, como se esperasse que logo lhe dissesse a respeito deste sentimento... Mas não, daí eu dizia sobre outra coisa, sobre a escola, sobre os irmãos dele, ai ele ate perdia o interesse muitas vezes na conversa... Mas os olhares diziam tudo... Simplesmente isto... Eu procurava demasiadamente ver alguma informação em sua pagina no facebook, para ver se conseguia alguns indícios... Tenho quase certeza de que em sua pagina, não se especificava o seu interesse “interest”... Neste ano, ele havia especificado, como em mulheres, mas logo após ter publicado um vídeo sobre romance homossexual em sua pagina. A partir daí, subtendeu-se para mim que ele simpatizava com a homossexualidade, entretanto, não queria evidenciar este fato em sua pagina de facebook, colocando seu “interest in women”, de um modo de quem o visse, compreendesse que ele simpatizava com a homossexualidade, mas que não se define como um homossexual... Mas somente eu, que sabia sobre outras coisas, pude perceber isto... Se tive meus momentos de negatividade? Tive sim, isto e fato... Às vezes ficamos nos dizendo que iremos falar com a pessoa que amamos amanhã, agora, sendo que estes ímpetos freqüentemente passam por serem momentâneos. Juntamente com isto, passa o medo de não ser o que esperamos, de ser exatamente o oposto, mas isto são conseqüências do fato de que ainda não existe um dialogo, e não havendo o tal, passa a haver a possibilidade de desentendimento. Outras fontes de pesquisa afirmam que geralmente os tímidos tendem a agir dessa maneira, submissa, com a esperança de que algo aconteça... O Lorenzo parece que realmente quer que eu me declare a ele, às vezes mostrando desinteresse em algumas conversas que nada se relacionava a isto, mas o que achava estranho era a forma que me olhava antes de iniciar este dialogo: ele olhava-me profundamente nos olhos, esperando alguma coisa, mas quando eu dizia algo fora do assunto, ele meio que se desanimava... Na quarta e quinta da semana passada, ele havia faltado à escola. Foram 2 dias, mas que para mim pareciam uma eternidade... No dia que se seguia, ele chegou à escola e me olhou alegremente, como se estivesse com saudades daqueles olhares... Eu havia o olhado, e ele a mim... Mas estava confuso e sensível, e acabei por desviar aquele olhar. O que havia me ocorrido? Simplesmente havia olhado para os outros lados das coisas, e acabei por me menosprezar, ao pensar que um garoto como ele, bonito, alto, belo, não poderia se apaixonar por mim ate por nunca haver-me ocorrido tal implacável paixão... Mas não havia verossimilhança. Ele è do segundo ano, e eu do primeiro. Ele tem dezessete, e eu quatorze... Ficava pensando: ”um garoto de dezessete não deve se apaixonar por um tolo, bobo como eu... Como se todos os meus pensamentos anteriormente relatados e expressados estivessem se posicionando contra a mim, como se minhas palavras fossem o meu próprio veneno... A partir daí fiquei-me achando inútil, desprezível, e alem disto, desesperado, por não ter conseguido efetuar um dialogo, com medo da possibilidade de perdê-lo, dele me odiar, me desprezar, estar ao invés de me amando, na realidade zombando de mim... Naquele dia, a negatividade era predominante e avassaladora... Temos os nossos pontos altos e baixos, isto e verdade... Mas bastou uma conversa com uma melhor amiga que tudo isto cessou. O que havia me ocorrido e que estava situado em um meio contraditório, em que muitas das minhas amigas haviam passado por situações de amor não correspondido, e devido a dramaticidade destas, havia confundido meus conceitos, minhas idéias, e perdido minhas esperanças, ate que uma das minhas melhores amigas, Mariana, havia me oferecido assistência, abrindo os meus olhos para a situação. Ela disse-me para não perder as esperanças, que o amor, na realidade, e cheio de obstáculos, e que não deveremos nos submeter estas dificuldades ao debilitar-nos. Das dificuldades, devemos encontrar a fortaleza, o ensinamento, a perspicácia para ter algo melhor. Aconselhou-me a ter calma, paciência, e para parar de ficar tomando conclusões precipitadas, estando estas equiparadas e incorporadas pela dramaticidade adotada pelas outras amigas, e sim ter consciência de que este è o meu sentimento, que este não pode ser equiparado e nem medido, pois o que sinto è único, e “amor pobre è aquele que pode ser medido”, como diz um poeta. O que sinto pelo Lorenzo já è rico, rico de amor, de sentimentos, de esperanças, e devo fazer destas para alcançá-lo, quando há correspondência de olhares, de manifestações. A partir de seus argumentos, senti-me mais confiante. Desintegrei-me daquela gama de pensamentos, idéias pessimistas em função da positividade, que leva-me para um caminho melhor. A positividade, neste caso, remeteu-se a realidade, a essência das coisas, àquelas manifestações de sentimento que por medo de sofrer, havia temporariamente me afastado... Mas uma frase mudou a minha vida: “Não tenhas medo de ser o primeiro a tomar uma iniciativa positiva. Uma flor no lodo pode não perfumar, mas mostrara que a vida existe ate mesmo na adversidade.”. Sendo assim, falarei com o Lorenzo, absolutamente. Mas também, não posso ficar determinando de forma demasiada como daqui a dois dias, como daqui a uma semana, ou decorando sobre o que vou falar, ate por que o momento adequado vira, e neste momento, não terei um roteiro para expressar todo este sentimento, pois quero que o que fale venha do coração, que não seja supérfluo e superficial, pois acredito que o destino da palavra seja o coração, e quero que quando este dia chegar, a pureza do amor se harmonize com minhas palavras, de um modo que estas não se limitem ao seu monótono significado, e sim sejam ondas de emoções que se manifestem sobre cada um de nós e impulsionem a inefabilidade desse vibrante sentimento. Mas também não devo deixar que as grandes oportunidades de desvaneçam com o tempo. Não quero passar por aquele aperto e desespero novamente, de vê-lo passar por aquela porta da escola sem dizer-lhe algo, sem expressar aquele sentimento, sem nem dizer-lhe adeus, com receio de nunca mais vê-lo novamente... Rezo todos os dias para Deus o proteja, não só a ele, mas também sua família, amigos, pais, colegas, pois independente de tudo, quero vê-lo feliz, que ele demonstre, expresse o brilho de seu sorriso, que Deus sempre o ilumine, pois ele já e uma parte de mim. Se algo lhe ocorrer, meu mundo desaba...
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