Chamas do amor


O que senti pelo Lorenzo (garoto que amo) ao sair com ele, foi inexplicável... Não esperava a sua presença naquela ocasião. Entretanto, não estávamos realmente a sós, e sim com a companhia de seus dois irmãos (Júlia e Fernando) e com um amigo meu chamado Alan. 
Estendi-lhe a mão para cumprimentá-lo. Ligeiramente estendeu a sua, e deu um belo sorriso. Não sei se se espantou com minha presença ou quis fazer-se de espantado... Bem provável é que ele já me esperava, pois havia comentado com sua irmã e Alan que iria ao movimento artístico, e por estar próximo ao local onde conversava com estes, deveria ter ouvido.
Lorenzo demonstrou afabilidade, em que se sucediam as pitadas de entusiasmo... A partir dai, sentiu mais liberdade para expressar-se, até por que os irmãos não lhe pareciam estranhos, e não seria eu quem impediria que se manifestasse. Mas ele se sentiu mais a vontade...
Estávamos todos em um movimento pacifico na rua, organizado por um grupo de orquestrantes que visavam ao direito de lutar pelos sonhos em função de seus estudos e trabalhos, às 7 horas da noite...
O Lorenzo dialogava. A partir dai, já não me parecia aquele garoto tão tímido, "fechado". Até riu, se divertiu, fez caretas, e surpreendeu-me por extremo... 
Alan, meu amigo, fazia algumas asneiras, criticando as pessoas que ali estavam aglomeradas, a respeito de seus trajes e aparências. Eu interagia, contando e complementando historias divertidas e entrando em harmonia com os outros na conversa. Quando eu falava alguma coisa, o Lorenzo prestava atenção... Sorria demasiadamente, sem vergonha de se alegrar... Mas quando o olhava diretamente, de súbito disfarçava o sorriso, o olhar... Quando eu prestava atenção em que os outros falavam, enquanto estes dispersos, ele se prontificava a me observar... 
Em um determinado momento, eu, ele e o resto do pessoal fomos para outro lugar. Este resto prosseguiu a nossa frente, enquanto ficávamos atrás. De repente, ele se esbarra em mim... Achei estranho, pois seus olhos estavam centralizados próximos a minha direção, e difícil seria ele assim esbarrar... Bom, não sei... Mas a partir desse esbarro, ele olhou profundamente e serenamente nos meus olhos e disse:
- Desculpe...
Eu perdido naquele olhar, também lhe respondi:
- Desculpe...
Contemplava meu semblante, o meu olhar, e privou-se de tal observação ao desviar sua atenção para outro lugar...
Ele não chegava a conversar comigo diretamente, mas ficava próximo a mim... Falávamos em geral, isto e, em grupo, com o resto do pessoal... Mas os olhares e os risos manifestados cativavam nossa atenção...
Na hora de ir embora, foi um aperto... Meu coração está e estava naquele momento em chamas de amor... Sentir o suave toque de sua mão ao cumprimentá-lo e despedi-lo foi uma experiência sensacional, pois foi como se pudesse por seu intermédio, transmitir ondas de sentimento... Ainda sinto este toque... Este amor ultrapassa as distâncias, o tempo... Não ha horas, minutos, segundos para contemplar-te, Lorenzo... Pois assim já faço o tempo todo... 
Deus concedeu-me e concede oportunidades, pois alem disto tenho fe neste amor... O Senhor mostrou-me um anjo sem asas, cujas asas aqui estão, fazendo-me voar, voar e aventurar nos fluxos deste sentimento, fazendo com que os meus olhos se direcionem a uma única pessoa, como se estivesse contemplando a mais bela de todas as obras criadas por Deus. 
Podem ter mais de bilhões de homens lá fora, mas você, Lorenzo, e o único que o meu coração se põe a amar... 
Equilibrar este sentimento? Mal consigo... Apenas procuro lembrar-me da sensação de ter a sua presença para que esteja mais convicto ao encontrá-lo novamente e expressar este sentimento que me agonia. Uma agonia pura e saudável, mas fervorosa e intensa, a agonia do amor...
Tratarei de pronunciar todas as palavras minuciosamente, pois acredito que o destino da palavra é o coração... Porem, a concretude não esta permeio deste sentimento... Só Deus sabe realmente sobre o que estou falando, pois se trata de algo intenso, superior a mim... Trata-se de um amor que transcende, que não se finde aos limites impostos pela razão...
Agora estou me informando sobre a potencialidade que habita no coração... A força da palavra, do sentimento... Só sei que um amor, por menor que seja, derruba uma montanha de ódio... O que sinto por ele já é grande, então, derrubei o universo...

Na ultima sexta, ele, passou pelo corredor do andar onde estudamos, e avistou-me na minha sala. Ele passou e olhou-me profundamente... Envergonhei-me e olhei para baixo, mas... Ele insistiu naquele olhar... Olhei-o novamente... Foi-se embora, pois tinha que comparecer a aula. No intervalo, passamos pelo corredor. Ele estava rindo sobre algo. Quando me aproximava, olhou para mim. Ambos paramos ao observarmos um ao outro. Ele deu continuidade ao riso e olhar, mesmo tímido, o que achei o máximo! Eu só o contemplava, contente, até ser interrompido por um amigo, que quebrou o clima...
Após aquele olhar, senti-me totalmente confiante em falar com ele... Tomei a minha ultima decisão...
Falei com ele na hora da saída, mas... Não sobre exatamente sobre este intenso sentimento... Havia pessoas ao meu redor, que me impediram de efetuar uma conversa a respeito... De qualquer forma, tinha que entregar um documento para a irmã dele, e pedi que fizesse a gentileza para ela entregar...

Estava nervoso, não posso negar. Estávamos próximos, e conforme eu falava, ele olhava diretamente nos meus olhos... No meio deste olhar, perdi minhas palavras:
- Olha, você diz a sua irmã que tem que assinar isto, e...
- Pode deixar – interrompeu-me – eu sei mais ou menos como é, e entregarei a ela. Obrigado.
- Disponha – disse.

Tomei coragem para algo dizer-lhe... Quando comecei a falar, o irmão dele mais novo aparece... Daí, calei-me... Pela hora, também tive que ir embora, e portanto, despedi-me de ambos. Dei um aperto de mão em seu irmão, que também me conhece, e assim fiz com ele... O estranho é que logo depois que me despedi, ele saiu... Assim costuma acontecer quando falo com ele na hora da saída... Subtende-se que algo está esperando...

Estou percebendo que ele está mais isolado dos amigos... Mesmos dos que já sabem sobre a situação... Às vezes está dentro de seu grupo de amigo, mas estes parecem não saber aconselhá-lo devidamente... Estes tentam abraçá-lo, dar uns tapinhas, um ânimo, mas... Ele parece estar mais... Só. Talvez seja só impressão minha, mas... Vejo que ele está mais audacioso, ousado, devido à freqüência e profundidade de seu olhar... 
O clima está propício, e a hora está chegando... Estou mais confiante... Aqueles olhares pareciam dizer tudo, e assegurar este sentimento... Eu publiquei de forma particular, ou seja, de modo que apenas ele veja, o vídeo que ele havia publicado sobre romance homossexual no facebook. Eu tenho o face dele, e ele acabou de atualizar sua pagina, ou seja, ele viu isto, provavelmente, pois minhas atualizações para ele estão visíveis... Aquele vídeo (http://www.pixelgeek.com.br/2012/03/romance-homossexual-em-mass-eff...) , interpretei como uma indireta, como havia anteriormente mencionado a semelhança dos personagens nele apresentados com a gente, e por ter re-publicado, ele além de perceber que olhei aquele vídeo, saberá que simpatizei com o mesmo.
Hoje ele me olhou de uma forma diferente das outras, digo, mais demorada... Cheguei à escola, e ele apareceu... Mas só que ao me ver, ele não parou de me olhar, de me observar. Senti-me envergonhado com o olhar, mais ele persistiu... Depois, foi-se embora... Muitas vezes fico preso dentro desse meu mundo de sentidos e possibilidades, apegando-me aos detalhes e perdendo o foco da verdade, deixando ser enganado por meio da busca da razão...
As minhas amigas, as que sabem a respeito disto, ficam dizendo que ele não olha nada, por que ele, quando passamos juntos não me olha, não me da atenção, e blábláblá... Mas não è nada disto... Se ele è uma pessoa tímida, não olhara mesmo quando tem um bando de garotas dizendo:
- Ele olhou, olha, olha, olha!
Então, papo encerrado... Quietei-me nos últimos dias a respeito de minhas amigas, e deu certo. Ele passou a olhar mais. Voltamo-nos ao tempo em que éramos somente nos dois, nos olhando e contemplando...
Penso demais sobre tudo isto... È um pensamento, uma historia interessante e cativante, se formos analisar e harmonizar seus enredos.
Grandes passos eu realizei: já falo melhor com ele, apertamos as mãos em comprimento ou despedida, brincamos, mesmo timidamente, e sai, me diverti com ele, naquelas ocasiões relatadas...

Sei la... Houve momentos em que acabei por confundi-me, perder o foco da situação, quando aquelas amigas minhas disseram estas coisas, que ele não se importa... Até por que elas queriam ver, assentir com meus argumentos, para que neles pudessem acreditar... Mas não... Se meu coração está exprimindo tudo isto que estou escrevendo, por que não procuro agir conforme o próprio? Claro, deveremos ter senso critico, e razão, mas... Já me preocupo muito com a razão... As pessoas ficam dizendo que sou um alguém forte e cauteloso perante a vida... Mas quando me deparo com aquele garoto, não sou tão forte assim, pois ele è a minha fraqueza. Basta olhar para ti, que esqueço sobre tudo o que penso e pensei, tudo que imagino e imaginei, tudo que ocorre ou que ocorreu ao meu redor. O meu relógio pára, assim como meu mundo, pois me aventuro na profundeza de seu olhar e de seu sorriso... Quando se sucedem tais ocasiões, fico estupefato e me pergunto: que iria fazer mesmo?

O meu ponto é: tenho que me prontificar a correr riscos, deixar florescer em minha concepção o fato de que o amor não se vê com os olhos, e sim com o coração, como diz Willian Shakespeare, e as manifestações deste sentimento que me avassala que me guiara para este caminho da razão. Isto, é, se tenho convicção da possibilidade deste sentimento, então, que me prontifique a deste saber sobre sua veracidade. A verdade nem sempre é simples e fácil, e por ter me acostumado a este sentimento pelo Lorenzo, e por ter-me deparado com a situação de minhas amigas, de amores incorrespondidos, minha convicção a respeito deste amor passou a ser comprometida, quando estas, por sua vez, procuravam mensurar este sentimento, medir o que eu sinto pelo Lorenzo pelo que sentem pelos seus respectivos amados, o que não é assim... O que eu sinto por ele é diferente do que elas sentem pelos “seus” garotos. Como diz novamente Willian: “È um amor pobre aquele que se pode medir.”

O que sinto por ele é único, sem igual. Como vivo dizendo, meu amor por ele é inefável: as palavras, por mais complexas que sejam, não se capacitam de expressar a plenitude deste sentimento...

Falarei com ele? Claro? Mas precipitei-me a analisar as outras possibilidades. Se ele realmente não gostar de mim, o que acho bem inusitado para todos esses olhares e argumentos, deverei lidar com isto e olhar a frente, rumo a diversidades de garotos que posso conhecer nesta vida... Apesar disto, felizes são os que vão à busca da felicidade... Nestes casos, pior do que arrepender-se de algo que fez è arrepender-se de algo que poderia fazer e deixou a oportunidade sair, quando lhe apareceu a porta.

A vida è correr riscos, e só assim para saber ser feliz... No entanto, no próximo relato, direi sobre minha conversa com ele... 



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