Em um mundo cada vez
mais tecnológico, mais ferramentas vinculadas ao meio virtual são
desenvolvidas, buscando efetivar as possibilidades de comunicação entre dois
indivíduos. A internet simplesmente fornece ao seu usuário a oportunidade de
acessar inúmeras informações ao seu gosto, onde o mesmo pode conhecer novas
pessoas, desenvolver novos relacionamentos, inclusive sem fronteiras.
O facebook nos provê com um fabuloso
“background” de cunho social, com várias pessoas ao redor do mundo aderindo cada
vez mais ao seu uso.
Existem
muitas pessoas que não encontram as oportunidades de se desenvolver socialmente
através de contatos pessoais, ou procuram evita-las, devido ao medo, de
esquisitices que pensam possuírem, de características as quais em um contato
cara-a-cara, seriam desagradáveis para quem tornasse a conhece-los. Desse modo,
optam por se relacionarem virtualmente, de forma constante. O fator preocupante
é o tempo que eles se dedicam a tal atividade.
É
irônica a existência de vários grupos no Facebook, intitulados com algo
parecido como “fazer novas amizades”, “amizade verdadeira”. Seria ignorância
dizer que nenhuma pessoa consegue obter algo desse tipo, uma conexão forte com
alguém do outro lado do mundo, não sei quantos quilômetros distante de um
determinado lugar. Porém, sejamos realistas: é improvável.
Vários
são os que simplesmente postam fotos nus ou seminus com a seguinte descrição:
estou à procura de um grande amor. É algo gritantemente contraditório, e até engraçado.
Sem contar com aqueles que pedem para curtir a foto, seguir e “pedir para add”,
tudo ao mesmo tempo, buscando “fazer novas amizades”, querendo na realidade,
nada mais que mais “números” em sua página. Eis a questão: a palavra AMIZADE
está sendo muito banalizada atualmente.
Um
sujeito tem inúmeros seguidores e “amigos” no face, e pessoas com as quais
realmente se identifica, ao seu lado, são inexistentes... É tão estranho... Com
quem se expressa virtualmente, o mesmo parece ser uma pessoa linda, de bem com
a vida, características deduzidas através do que meramente escreve. Porém,
quando se volta ao real... Ah, tudo se desmorona: uma infelicidade agonizante
no âmago de seu coração.
É
tão mais interessante quando estamos com uma pessoa em um contato mais direto,
detectando suas expressões, podendo ainda desvendar os sentimentos e sensações da
mesma antes mesmo dela verbalizar, através de sua própria linguagem corporal.
Na internet, podemos estar conversando com uma pessoa, estando esta
simplesmente dizendo estar interessada quando na realidade está querendo “dá no
pé”.
Em
um diálogo “real”, definitivamente ocorre a possibilidade da pessoa não gostar
de determinadas características nossas. Entretanto, saberemos como proceder,
saberemos se valerá a pena mudar ou não por esse alguém, descobriremos o que
gostaríamos e nos prontificaríamos a mudar em nome de nós mesmos. Se não,
aprenderemos.
Quando
nos possibilitamos sair de nossa “zona de conforto”, nos sentimos mais...
“Vivos”. Passamos desde então a enxergar que somos seres humanos, susceptíveis
de erros, assim como qualquer um outro próximo. A gente tenta, “quebra a cara”
com uma pessoa, mas levanta depois, sofrendo, sofrendo, mas em determinada hora
acerta. Mas para ocorrer o acerto, deverá haver o ajuste dos erros.
Às
vezes, principalmente quando em momentos em que estamos desenvolvendo nossa
autoestima, tentamos embutir em nossas mentes que não temos problema algum e
que qualquer indivíduo poderá se atrair por nós. Mas é necessário checar as
nossas limitações a fim de que possamos superá-las, e não simplesmente
escondê-las pretendendo ser algo que não somos, o que pode ocorrer na internet.
O
real é tão mais interessante... É mais emocionante, excitante... Através dele,
as pessoas se tornam capazes de conhecer mais precisamente outras, e,
curiosamente, enxergando algo novo sobre elas mesmas, que antes, não eram
capazes de visualizar no ambiente virtual. É como se realmente dependesse
delas... E realmente é assim... A questão é que a vida é cheia de desafios,
repleta de coisas a serem vivenciadas. Mas para que desse modo seja, depende da
motivação pessoal de cada um.
Estudos
indicam que em contatos pessoais (reais), em que o indivíduo é capaz de
visualizar o outro, este se torna 50% mais feliz quando comparado com os
mecanismos virtuais em geral, que se reduzem à superficialidade de palavras
digitalizadas.
A
felicidade hoje em dia é algo superestimado por todos. Porém, nem todos tem a
coragem de serem felizes. Muitas são as vezes em que temos tudo, tudo o que
precisamos disponível ao nosso lado, quando a euforia de descobrir novas
coisas, vivenciar algo diferente com pessoas diferentes é tão imensa, que
recorremos a algo distante de nós (internet), algo que apesar de ser
aparentemente existente, não se concretiza, não se realiza, que se finda na
virtualidade.
O
que fazer então? ... Não tem aquele ditado: “tudo demais faz mal”? Pois então,
é aplicável a tais situações. Temos que buscar manter um equilíbrio a fim de
que possamos viver mais, melhor com nós mesmos e com os outros.
Se
isentar completamente da internet em um mundo cada vez mais tecnológico
provavelmente não é algo recomendável, uma vez que as relações de trabalho, obtenção
de informações detalhadas estão de certo modo exigindo o uso de mecanismos
virtuais.
Não
podemos nos deixar levar pela ilusão, pelas futilidades... Não é à toa que
muitas pessoas entram naqueles grupos do facebook antes mencionados sem na
realidade saber o que realmente querem, ou na verdade sabem e não querem expor
suas vulnerabilidades, a fim de se tornarem figuras mais atraentes.
Deveríamos
buscar ser pessoas mais práticas. Tal praticidade se consiste na convivência
com novas pessoas, buscando se tornar mais próximas delas, além dos limites
virtuais. Se não possível transpor esses limites, pelo menos temporariamente,
não significa dizer que deveríamos esquecer por completo aqueles que conhecemos
na internet, quem realmente estimamos.
Podemos
manter o contato, caso conveniente. Porém, nunca esquecer que tem um outro
mundo lá fora. O REAL! Onde as coisas acontecem fervorosamente, que muito nos
ensina. Onde é para valer! Onde muitas vezes atribuímos nossos problemas às
coisas, às pessoas ao nosso redor, e orgulhosamente, esquecemos de atribuir à
nós mesmos. Sim, nós mesmos! Depois de tanta confusão, tanta euforia,
percebemos isso.
A
virtualidade nos ensina que as coisas mundanas estão ocorrendo muito rápidas. A
realidade preconiza como elas vão acontecer. Sendo a primeira uma ferramenta da
segunda, destinada a quaisquer trabalhos, determinados fins. Metaforicamente, o
real é a máquina, o virtual a ferramenta, ambas interligadas. Entretanto, a
fugacidade dos fenômenos mundanos ficam mais aguçadas com o desenvolvimento das
tecnologias, que nem sempre é proporcional à adaptação humana, no sentido do indivíduo
perder a noção, querendo vivenciar tudo “ao mesmo tempo”.
Não
fique mais esperando por oportunidades. Busque por mudanças efetivas em sua
vida. Nem tudo que é rápido, fácil, é duradouro. É muito improvável que será. É
melhor nos conformar que tudo tem seu determinado momento, tudo tem sua vez, e
que outras vezes virão... Buscando a cada dia ousar fazer algo diferente, para
que seus pequenos esforços eventualmente possam se acumular em algo
significantemente melhor. Mas se não formos lá fora, nunca iremos saber... Só
irá ficar na imaginação... O mundo não só gira em torno da virtualidade. As
pessoas estão se esquecendo disso...
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