Pensar demais... Este é um dos meus maiores problemas. Sempre busquei fazer algo de novo, diferente. Porém, este meu pensamento esteve muito voltado aos estudos, à escola. Eis a questão: a minha vontade de dar o meu melhor, de procurar ultrapassar os meus limites deve abranger outras partes de minha vida, para que possa progredir de um modo mais consistente. Alguns problemas fizeram com que minha mente fizesse com que minha mente estivesse essencialmente voltada para o meu futuro, comprometendo-me a estudar mais a fim de obter estabilidade financeira, esquecendo que a minha felicidade não só depende destes fatores como de outros, como, principalmente, o de viver o presente. A necessidade de ser independente esteve sempre associada com o fato de ser diferente, de gostar de garotos. Logo, pensava eu que teria que fazer de tudo para que pudesse me virar sozinho, não depender muito das pessoas, pois sei que muitos desaprovariam esta minha particularidade. Quando criança, havia despertado interesses por garotos e garotas. Não via com olhares preconceituosos o simples ato de gostar de alguém. Na realidade, nunca cheguei a pensar dessa forma. Somente uma menina tinha efetivamente mexido com os meus sentimentos. O nome dela era Mariana. Ela era morena, de olhos verdes. Simplesmente linda... Nós éramos amigos. Costumávamos conversar frequentemente. Estávamos na terceira série do Ensino Fundamental. Muitos eram os meninos que a achavam atraente, porém, nunca havia um que tinha a coragem de expressar algum sentimento por ela. Naquela época, eu ia estudar de van escolar. Lá, tinha feito muitos amigos e amigas, considerando que, uma destas me encorajava para falar com Mariana. Em um certo dia, decidi que era melhor que eu tomasse alguma atitude, para não correr o risco de perdê-la para outro garoto. Apesar de sermos amigos, a Mariana nunca me deu tanto espaço para abrir o meu coração para ela. Então, eu estava nervoso. Quando passei por ela, logo a cumprimentei. Quando me despedi, milésimos de segundos antes dela dar o impulso de sair, exprimi o que me afligia ao dizer:
- Mariana, gosto muito de você.
Ela simplesmente continuou andando, apática, como se não lhe houvesse dito nada. Os dias se passaram, semanas se sucederam. Havia voltado a falar com ela, normalmente, no dia seguinte. Quando somos crianças, raramente nos deixamos abater profundamente por tais situações: em um dia, estamos chateados, em outro, voltamos alegremente a falar com quem nos magoou, quando este alguém a princípio é nosso(a) amigo(a), em quem depositamos a esperança de que alguma vez tornará a corresponder ao nosso sentimento. Com isto, continuava a conversar com ela, quando lhe perguntei se no próximo ano ela permaneceria na minha escola, estudando na minha sala, dizendo que gostava de ficar perto dela. Mariana me respondeu que provavelmente sim, e ambos sorrimos. O fato é que o destino resolveu nos separar por aquele momento. Digo aquele momento, pois a vida é cheia de surpresas. Porém, nada mais excitante que poder olhar ao seu redor e analisar que tudo pode acontecer, mas que o melhor a se fazer é seguir em frente. Eis o que hoje penso quando me lembro dessa história. No momento em que me apercebi de sua ausência, fiquei evidentemente chateado, mas, inocentemente, esperançoso de que em algum outro instante, ela retornaria. Porém, não voltou. Eu era na época mais novo, imaturo. Creio que o que tive a oportunidade de ter foi uma pequena noção do que se tratava o amor. Desde cedo já havia dentro de mim o romantismo... Tudo se tratava de uma delicada atração que, nascida na amizade, se revigorou com a convivência, com o tempo, quando já me passava a perguntar de que se tratava aquele sentimento. A vida seria bem mais simples se as pessoas não tivessem medo do que existe dentro delas, se parassem de se rotular como sendo alguma coisa, se limitando a ser algo para se sentir mais confiante, achando que já se conhecem por completo. Ao abrirmos nossas mentes para as novas oportunidades de sermos felizes, mais felizes seremos, e mais aptos para respeitar os diferentes estilos de vida do próximo estaríamos. Portanto, eu já gostei amei uma garota (Mariana), já amei um garoto (Lorenzo). E o amanhã? A Deus pertence. Se estarei com um homem ou uma mulher, não importa. O que mais vale é ser feliz. A vida é única. Uma vez sendo assim, não é válido ser plenamente vivida conforme as expectativas de alguém. Sendo assim, viva de sua maneira, mas de um modo que a sua não prejudique a de outros.
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